sábado, abril 21, 2012

Família

Como radialista, tive a oportunidade de acompanhar muitos reencontros de família. Foram sempre momentos de muita emoção. As pessoas choravam e só pode entender o que sentiam quem vive algo parecido. Estou tendo a oportunidade de rever pessoas de minha família. São tios e tias, primos e primas, adultos e crianças, que naturalmente deveriam estar no meu grupo de convívio, mas que o destino fez com que não estivessem. As facilidades das redes possibilitaram este encontro. É incrível como as tias me olham e logo me reconhecem, como se estivessem vendo o seu irmão (meu pai). Tia Ana como ponto de chegada, tio João de um abraço fraternal, tia Lena de muita emoção. Um abraço carinhoso, choro, e a sensação do verdadeiro sentimento, que foi demonstrado por todos. Vivendo um momento excelente.

segunda-feira, abril 16, 2012

O homem que chora

Uma semana complicada. As mais difíceis provações, os mais complicados desafios, as pessoas com os nervos à flor da pele, tudo acumulado com a tensão cotidiana. É o trânsito que não anda; é o trânsito que anda demais e quer passar sobre você; é o mercado que não responde como poderia; é você que não está sabendo entender o que o mercado está gritando; são as contas que chegam; são as contas que são pagas; é a sua conta que sofre; é o mundo que não lhe entende; é você que não consegue se fazer entender pelo mundo; são os aparelhos da tecnologia que funcionam quando querem; é você que não nasceu na época da facilidade de entendimento dos tais aparelhos da tecnologia; no meio desta loucura toda existem aquelas pessoas que você adora - umas que chamamos de família, outras que temos orgulho de chamarmos de amigos - só que a maior parte delas está longe, porque vive em outra cidade, outro estado, porque está em sua cama e não vive este horário maluco de jornalista. E como fazer para esvaziar tudo o que se acumulou durante o dia, durante a semana, quem sabe, durante meses, e que você está guardando no peito? Tem maluco que grita. Não gosto. Uma bebida ajudaria, mas o risco de virar um alcoólatra seria mais prejudicial do que o acúmulo de estresse. Então um choro parece ser uma grande opção. Homem não chora? Com o perdão do escrito, foda-se. Eu choro. E quando estou assim, precisando tirar peso dos ombros, fica muito mais fácil: uma boa música romântica (não pelo romantismo, mas pela sonoridade) ou com mensagem bacana já é suficiente; pode ser uma Adele, na vida, que o significado pouco me importa, mas que tem um som tão agradável ao ouvido, que me faz viajar; pode ser a Fafá, cantando Pai; pode ser uma cena de filme; podem rolar de rir, a despedida da Hebe, quando saiu do SBT (parece bobagem, mas é uma das maiores demonstrações de amor a uma empresa e zelo muito por isto); pode ser Zezé e Luciano, no Dia em Que Sai de Casa, porque aí lembro de minha mãe, que é a pessoa que mais faz sentir-me especial. Pode ser o Hino Nacional, que ganhou vida na interpretação de Fafá de Belém. O que ganha relevância é o resultado que consigo ao ouvir esta cantoria: choro. E não é aquela situação discreta e poética, que faz uma lágrima escorrer pelo rosto; choro copiosamente, como criança. Então estou pronto para deitar e curtir o sono, que deve bater a porta da minh'alma, dizendo que é hora de relaxar o corpo, porque o espírito já está leve.
E se você é tão macho para não chorar, é porque nunca foi homem suficiente para se entregar para si e se conhecer por dentro.

sexta-feira, abril 13, 2012

Beijo

Te toco; minha pele roça na sua; tudo fica molhado, quente; é um começo para avanços maiores, e nem por isso pode ser considerado só um passo, ou como algo incompleto. É perfeito, excitante, atrevido, pode ser roubado, ganho, doce, e se for dado com amor, vish, nem tem comparativo. A sensação do toque ganha reforço com a invasiva, descarada, muitas vezes potente, língua. Uma troca de saliva, de coisas boas e ruins, mas, acima de tudo, um jeito bom de se dar, de se mostrar, de se entregar a pessoa amada. Viva o beijo, o dia do beijo, o momento do beijo, o tesão no beijo, o desejo e tudo que envolve este ato de amor e respeito, que não pode ser perfeitamente descrito em palavras.