terça-feira, julho 30, 2013

Está tudo errado

E se um dia alguém perguntar "quem é esse cara?" - uma alusão à música do Roberto Carlos "Esse cara sou eu" -, vou responder, com tranquilidade, que esse cara é o Alemão Ronaldo. Bom, todo este enrolado preâmbulo é para concordar com a canção do músico gaúcho que diz: "Tá tudo errado. Tá tudo errado. Aqui do meu lado. O mundo chora sem parar". E faço das palavras dele as minhas, quando vejo a valorização daqueles que não se dedicam ao que fazem, que dão mais valor à vaidade do que ao profissionalismo, que não demonstram amor pelo seu trabalho.
Refiro-me à atriz Marina Ruy Barbosa, que interpreta a Nicole na novela Amor à Vida. Recentemente, criou-se uma polêmica se ela iria, ou não, cortar o cabelo, porque sua personagem tem câncer e estava em tratamento, que costuma gerar queda de cabelo. Isto não deveria nem ser colocado em cogitação. É evidente que ela deveria ter feito. Ela está ou não inserida na história? Que tipo de atriz é este que diz não ao desenvolvimento da história de sua personagem?
É o tipo de atriz que é valorizado, infelizmente. Ela tem assinado contratos altos, que valorizaram esta atitude infantil e narcisista, além de já ter sido chamada para uma outra novela. Está, definitivamente, tudo errado. Vivemos em um mundo em que o pior é o melhor. 

domingo, julho 21, 2013

Machado não escreveu para adolescentes

Os professores de Literatura não gostam muito quando toco no assunto. Não importa, porque não estou aqui para agradar aos professores de Literatura, ou alguma outra classe. A verdade é que eles não gostam, porque, de certa forma, contesto uma prática comum desde que existe a disciplina: empurrar leitura para os estudantes.
Hoje se comenta que os jovens não gostam mais de ler, que as crianças de 8ª série do Ensino Fundamental ou aqueles do Ensino Médio se negam ou fingem ler o Dom Casmurro, do Machado de Assis, por exemplo. Só fazem uso da obra para se livrar do dever de casa. Ora, o fato não é que os jovens são seres sem cultura, que ignoram os livros. O fato é que Machado de Assis não escreveu para adolescentes lerem o seu Dom Casmurro. O texto é pesado, cheio de características da escrita do século XIX, o que não vai atrair de jeito algum a pessoa que está formando uma identidade em leitura. Assim, forçando os estudantes a ler este tipo de obra, vai se conseguir deixá-lo avesso aos livros, criando uma geração de pessoas indiferentes aos textos sensacionais escritos por brasileiros e estrangeiros. Machado de Assis é muito bom, mas tem que ser pego por opção do leitor e não por imposição do professor.
Eu, por exemplo, sou fissurado em livros, gosto mesmo de ler e, muitas vezes, até releio alguns dos que tenho em casa. A minha formação inicial, entretanto, foi feita com a leitura de gibis. Eles eram perfeitos, me divertiam e faziam viajar na história do Tio Patinhas, Pato Donald, Pateta e toda a turma da Disney. E se fosse me preocupar com o tipo de conceito sobre quem lê os gibis, seria um excluído cultural pelo elitizado grupo que caracteriza o que é boa leitura.
E se os jovens só querem ficar em frente ao computador, vamos deixá-los lá mesmo. Existe, hoje, os e-books, que trazem textos bons e tradicionais em formato digital. Para aqueles que ainda gostam do convencional, segue uma dica bem leve, agradável, que permite viajar e conhecer por bem traçadas linhas, um pouco mais do nosso país. Refiro-me ao grande, em quantidade de páginas, e muito bom livro, Me Leva Brasil, organizado a partir da série televisiva apresentada pelo jornalista Maurício Kubrusly, no programa Fantástico, da Rede Globo. Peguem este ou outro de sua escolha e faça uma boa leitura.

quarta-feira, julho 10, 2013

Malandro é malandro e mané é mané

O craque do samba, Bezerra da Silva conseguiu resumir a relação humana de uma forma bem humorada e verdadeira no clássico Malandro é malandro e mané é mané. Ele canta com bastante propriedade, que malandro é o cara que sabe das coisas, é aquele que sabe o que quer. E é verdade. No dia a dia comprovamos a existência de uma série de tipos de malandros. Existem os que são defendidos pela música de Bezerra, que se refere a um cara bacana, esperto e altivo. Por outro lado, existem os malandros que são os considerados espertalhões, que querem levar vantagem em cima dos manés. E estamos cheios de manés por aí. Dá para ver, quase toda a semana, nas páginas do jornal O Informativo do Vale, notícias de que mais uma pessoa foi enganada no golpe do bilhete premiado ou da mensagem que jura entregar um carro zero quilômetro.
Alguns de vocês devem pensar, que as pessoas enganadas costumam ter uma idade avançada, e que acabaram se deixando levar pela esperteza dos malandros soltos por aí. Ora, mas esta justificativa deveria servir justamente para mostrar o contrário. Quem tem uma certa idade deve estar ciente de que dinheiro fácil não existe. E que, ninguém, por melhor intensionado que seja vai sair distribuindo dinheiro de loteria entre pessoas desconhecidas.
O outro golpe que tem tido bom resultado para os bandidos e feito os manés caírem é o da mensagem premiada. Não existe quem possa ganhar um prêmio sem ter participado da promoção. Se você nunca demonstrou-se interessado em participar, mandando mensagem, adquirindo cupons, ou fazendo compras que valem cupons, porque cargas d’água iria ganhar? Você acha que é Deus que faz o sorteio e irá lhe premiar mesmo sem estar participando da promoção?
Chega desta ganância, esta vontade de ganhar dinheiro fácil. Tem dinheiro quem trabalha com o corpo e a mente. E se você foi enganado, pode sentir-se bem mané, porque, como disse o Bezerra, Mané é um homem desconsiderado, e da vida ele tem muito o que aprender.

quinta-feira, julho 04, 2013

Não tá entendendo!

Tem político que não está entendendo o verdadeiro motivo das pessoas nas ruas - apenas para contextualizar, os brasileiros foram às ruas pedir por menos corrupção e mais investimentos, em especial, nas áreas de saúde, educação e transporte público. A afirmativa sobre a falta de compreensão daqueles que foram eleitos se baseia nas respostas que têm oferecido à sociedade. Alguns optam por argumentos que beiram o ridículo. É o caso da tão sonhada reforma política. Parece que, desta vez, sairá do papel. Entretanto, a falta de vergonha na cara dos legisladores fará com que não tenha validade na próxima eleição. O argumento é que não há tempo hábil conforme o que determina a legislação. Ora, o povo está nas ruas justamente contra a idiossincrasia peculiar aos políticos e à burocracia tecnocrata que eles (os políticos) criaram . Ou seja, está mais do que ultrapassado o tempo de mudar este tipo de situação e agilizar o processo. Depois reclamam da falta de paciência da sociedade, mas acredito que esperar 513 anos já é suficiente para ver acontecer.