terça-feira, outubro 20, 2015

A abordagem que me dá segurança

Tarefa de uma segunda-feira à noite, após ao horário de trabalho: levar minha irmã até Imigrante, cerca de 40 quilômetros de Lajeado. Algo tranquilo. Função que já estou acostumado. Ocorre que acabei demorando - como pagamento pela viagem sempre tem algo para comer -, e saí por volta da 1h da cidade vizinha. Era só voltar. Só? Atrás de mim, um carro da Brigada Militar, primeiro com os faróis apagados, depois acessos, depois fazendo sinal de luz. Parei.
- Desce do carro! - disse um dos policiais (os dois pareciam nervosos e eu cagado com a situação, apesar de não dever nada para os homens da lei)
Como de praxe, pediu os documentos, que eu, também de praxe, tinha nas mãos.
- O senhor está levando alguma carga, aí?
- Não. (respondi)
- Então abra o porta-mala.
Abri. O policial mais jovem foi vistoriar com uma lanterna (estávamos no meio da escuridão). Abriu as portas de trás do veículo e também olhou (se pudesse multar por sujeira estaria feita a minha multa).
- Tem alguma pendência com a polícia?
Respondi que não. Mesmo assim, ele ligou para a central e constatou que eu havia batido o carro, em Taquari, o que, de fato, aconteceu. Mas faz tanto tempo, que nem lembrei de relatar, até porque está tudo acertado desde aquela época.
- Onde você mora? - deu sequência às perguntas.
- Em Lajeado.
- E o que faz aqui?
- Vim trazer minha irmã.
- Quem é a tua irmã?
- A Juliana, que trabalha na escolinha.
- Ah, sim! Não leva a mal, é só uma inspeção de rotina. Tenha uma boa viagem!
Poderia ficar chateado pelo cagaço e pouca polidez, costumeira dos policiais, mas fiquei agradecido. Se alguém tivesse roubando meu carro, eles teriam pego. Se fosse alguém querendo causar algum mal àquela comunidade, como já aconteceu algumas vezes (em assaltos a bancos e lotérica), eles poderiam ter evitado. É uma abordagem chata, mas que, com certeza, me inspira segurança.

quarta-feira, setembro 30, 2015

Família, obrigado!

Outubro é um mês especial, ao menos, para mim. Tem o Dia da Criança - e me esforço ao máximo para continuar com espírito jovem, ganhando apenas a aparência dos anos que se passam, deixando a carranca que insiste em se formar entre os mais velhos; tem a proposta do mês rosa, de alerta às mulheres sobre os meios de evitar o câncer, a partir do autoexame, o que considero sensacional, como campanha que, hoje, é bem recebida por todos, não só por elas, que ocuparam seu espaço na sociedade; e tem o meu aniversário. Fico mais velho. Chego, neste 2015, aos 37 anos e percebo que preciso dizer o que está em meu coração para as pessoas mais especiais: minha família.
Pensei em escrever que tudo o que sou é por conta deles. Daí imaginei que poderia ser uma demostração egocêntrica ou minimalista - dependendo do critério de avaliação. Afinal, podem imaginar que tenho Ensino Superior, mas sou um jornalista de interior, como muitos outros, nada que possa representar um grande peso na balança da vida. Mas, daí, penso que sim, tenho Ensino Superior, que cursei e paguei todo estudo com o suor de meu trabalho, que faço o que amo e ainda recebo para isto - a situação me faz crer que não sou William Bonner (não como referência profissional, as como visibilidade), mas me permite entender que sou feliz assim (não conformado, apenas feliz), o que me dá liberdade para exagerar na vaidade.
Assim, posso me orgulhar em dizer que o que sou (pensando, então, que tem peso) sou por conta deles - não financeiramente, mas também. O mais importante é em relação à pessoa que me transformei. Posso dizer, sem dúvida, que tudo o que fiz de certo, todas as conquistas, todos os elogios que recebi foi porque segui as orientações, as dicas e os pedidos de minha família. Agora, é importante ressaltar que não fiz só coisas certas, que errei e o tempo mostrará ainda mais erros. Estes momentos só aconteceram, porque não segui as orientações, as dicas e ignorei os pedidos, achando que poderia me autoguiar. Ledo engano.
De qualquer forma, me aproximo dos 37 anos com o dever de agradecer e dizer que os amo: Julio, Marlene e Juliana. Posso ser mais próximo de um, ou de outro integrante, mas todos são importantes e vão ficar guardados para sempre em meu coração, em minhas orações e em minha alma.

quinta-feira, agosto 20, 2015

As frustrações da vida

Dizem que um homem, para ser completo, tem que chegar ao fim da vida tendo escrito um livro, feito um filho e plantado uma árvore. Talvez esteja meio ultrapassado, porque, com esta onda tecnológica, é possível que o livro até deixe de existir. De qualquer forma, a obra está quase escrita, mas há tempo, porque não tenho planos de morrer logo.
Sobre ter um filho, espero que possa ser considerado o fato de ter cuidado - com zelo - de um gato, porque acho que é o mais próximo que chegarei, neste desafio da vida. A árvore já foi plantada. Não sei se ainda existe, mas posso providenciar outras. Não tenho a mão muito boa para isto. Se plantar tiririca, ela morre - por mais que me esforce em aguar, manter limpo. A planta deve sentir que não tenho habilidade alguma para a produção primária.
Assim, por ora, percebo que estou longe de ser um homem completo. Beiro à frustração humana. O livro ainda não está pronto, o filho vou aguardar para a próxima encarnação, e a árvore nem sei se existe. Mas, estas, são frustrações baseadas no que dizem ser o certo. Como minha consideração por estes paradigmas sociais é semelhante ao apreço que tenho pelo cocô - ou seja, ele se apresenta e aciono a descarga, mandando pelo esgoto -, as ignoro.
Prefiro pensar em vencer outras frustrações, como o fato de não conseguir colocar um quadro na parede (tenho um exemplar fazendo aniversário, no chão do quarto, porque não sei como postar a tela); como fazer instalações elétricas (lê-se até trocar resistência de chuveiro); como visualizar as mudanças que tenho vontade de fazer no apartamento (aquela imagem mental que os arquitetos conseguem com muita tranquilidade); como ter a paciência de separar as roupas para que não fiquem com bolinhas ou manchadas, quando estão sendo lavadas; parando para pensar, são tantas.
Quantas coisas gostaria de saber fazer... tem vez que olho para o gato (Tom) me observando e o imagino pensando: "Lá vai ele tentar, novamente, fazer o que não sabe". Pois foi assim que venci alguns desafios. Sem tutorial, o churrasco ficou de fundamento (a carne era boa - é verdade); o bolo cresceu e ficou saboroso; a máquina que lava as roupas está no local certo, funcionando como manda o figurino; até a pipoca ganhou caramelo.
Agora, paro de escrever para continuar a derrubar barreiras, vencer desafios e frustrar as frustrações impostas pela vida. Vai que, em uma destas, nasce um filho...

segunda-feira, agosto 10, 2015

O nostálgico Facebook

Estabelecer rotinas não é algo que incomoda. A palavra assusta, lembra monotonia, mas é apenas uma forma de organizar obrigações e hábitos que entendemos ser de bom tom. A academia é um exemplo. Você estabelece horário e acaba indo (dentro do que lhe foi estipulado), como rotina, mas é prazeroso, permite inflar os músculos e esvaziar a cabeça, um antidepressivo de grande utilidade e baixo custo.
Além da questão física, uma outra mania é a vontade de sempre estar bem informado. Assim, logo que acordo, acesso o celular e confiro o que já é notícia em nosso jornal (O Informativo do Vale), Facebook, Twitter, além dos aplicativos, que trazem de tudo um pouco. São consumidos alguns minutos, mas que permitem ter uma ideia do que vem pela frente.
Esta agilidade percebida nos meios de comunicação, que vejo pela manhã e que se atualiza a todo segundo, faz com que o passado, mesmo que recente, pareça muito longínquo. Eis que um dos maiores astros do momento, no mundo virtual, o Face, apresenta a possibilidade de você recuperar algumas memórias, sem que tenha que perder tempo ou vasculhar em seu histórico. Faz o passado virar presente.
Ontem, ele me permitiu relembrar de um momento bacana, em que dividia - comigo - uma garrafa de Casillero del Diablo; dividia - com outros - os meus escritos; e que dividi - com os amigos virtuais (ou reais), em fotografia. Vale um agradecimento ao Facebook, que além de lembrar do dia dos aniversários também serve para nostálgicos momentos "remember".

segunda-feira, agosto 03, 2015

Tchaaaaau, pai!

Usar o transporte coletivo é a oportunidade de vivenciar o diferente, perceber como as pessoas agem, pensam, se posicionam sobre os mais variados assuntos. Para quem gosta de moda, pelas poltronas e corredores dos ônibus passa uma imensidade de estilos. É o atual, o psicodélico, o antigo - vintage, o antigo - antiquado, o cabelo pintado, o sem cabelo, a calça nova, a rasgada, a curta, a de cintura baixa e aquela que sufoca o peito da figura. Há de tudo e de todas as idades.
E por falar em idade, não creio estar em meu destino ser pai. Pelo menos, não parece estar nos planos recentes - e, em se contando o adiantado da idade, é considerado justo abandonar esta ideia. Apesar de não ter a vocação para a paternidade, a considero uma das situações mais lindas que os seres podem viver. A possibilidade de saber que aquela pessoa nasceu de você (junto com a mãe, é claro) é algo sensacional. E aquele bebezinho, tão pequenino, vira um ser tão grande, cheio de opiniões, atitudes, capaz de fazer mais bebezinhos.
Mas o que tem de relação entre o coletivo e a paternidade? Pois foi em um ônibus que entrou um casal e sua filha pequena. Não mais do que três anos. Muito cheio, o veículo estava com diversos sons - do motor, das pessoas falando, do rádio -, o que inviabilizava ouvir a menina. Entretanto, conforme foram descendo alguns, se percebeu, novamente, a existência da criança, que foi imortalizada no instante em que seu pai desceu (mãe e menina ficaram no ônibus). Um silêncio estabeleceu-se no local. O pai cuida dos degraus para não cair; desce concentrado e não se despede. Eis que, do fundo do ônibus vem uma demonstração de carinho em caixa-alta. "TCHAAAAAAU, PAI!", disse a pequena. Ela não ouviria a resposta sonora, então o pai deu um jeito: acenou para aquela que deve ser sua maior alegria.

quarta-feira, julho 22, 2015

Sou fã de Marcel Stürmer!

As pessoas que me conhecem sabem que sou o maior fã dos meus amigos. Sinto-me muito orgulhoso quando os vejo vencendo em suas áreas, conquistando seus objetivos profissionais e pessoais. Emociono-me quando um deles vêm feliz dizer que deu tudo certo: "Passei de primeira na auto-escola", "Estou namorando aquela gata que sempre sonhei", "Vou me formar", "Passei no concurso e vou para o emprego que sempre quis". É como se eu pudesse comemorar junto, como se fosse uma conquista minha, também.
É evidente que nunca deixo de lutar por meus objetivos, nunca abandono as minhas vontades, nem os meus sonhos, mas isto não impede de ficar feliz e ter orgulho alheio. Busco vencer meus desafios, enfrentar meus monstros e derrubar as barreiras, que aparecerem pela frente; e também divido as conquistas com as pessoas que gosto.
Agora, um cara que não é meu amigo (nunca falei com ele pessoalmente) foi protagonista de uma conquista inédita, no Pan-Americano do Canadá, e a sensação que tive foi muito semelhante à percebida nas vitórias daqueles que conheço. Marcel Stürmer foi medalha de ouro - pela quarta vez consecutiva. Ficaria feliz de qualquer forma, afinal, é um brasileiro no alto do pódio, mas ele é daqui. Viveu percorrendo as mesmas ruas que percorremos; estudou no colégio que vemos, quase todos os dias; tem família em Lajeado e, quando pode, aparece para rever os amigos.
E, mesmo nunca tendo falado com Marcel, sei do seu esforço, do que abriu mão para conseguir ser um vencedor. Pode ter perdido a chance de brincar com os colegas, enquanto tinha que treinar; pode não ter tido a adolescência maluca que a maior parte dos jovens tem, porque tinha que treinar; pode ainda não ter realizado alguns de seus planos de vida, porque tem que treinar; mas todos que fizeram, o que ele pode ter deixado de fazer, não têm como dizer que integram a história do esporte brasileiro e mundial. Pode até não ser o objetivo deles, mas foi o de Marcel e ele conquistou.
Sou fã de quem luta! Sou fã de quem insiste e vence aos outros e a si! Sou fã de quem não se envergonha de suas origens (já o vi falando várias vezes que é natural de Lajeado)! Sou fã de Marcel Stürmer!

quinta-feira, julho 16, 2015

Onde está o gostoso astro-rei?

Poucas imagens são tão sensacionais quanto o nascer e pôr do sol. Ficar sentado sobre as pedras, ouvindo as ondas do mar, e ver o astro-rei sumir no horizonte é empolgante; arrepia, excita, emociona. Ele aquece o corpo, esquenta a alma, seca as lágrimas e transforma a escuridão da noite num esplendoroso dia. Mais do que um elemento do sistema solar, ele é o balizador de que mais um período está se acabando, que é chegado o momento de pensar como será o dia seguinte.
Diferente da lua, com seu atrevimento, ostenta o fato de que ninguém consegue chegar até ele; não há como alguém repetir, em seu solo (se é que existe) o que Neil Armstrong disse ao pisar no solo lunar: "Um pequeno passo para um homem, um salto gigantesco para a humanidade". Ele é potente, valoroso, necessário e deixa uma saudade gigantesca. Onde está você, astro-rei? Volte, sol! Estamos com saudade!