terça-feira, outubro 20, 2015

A abordagem que me dá segurança

Tarefa de uma segunda-feira à noite, após ao horário de trabalho: levar minha irmã até Imigrante, cerca de 40 quilômetros de Lajeado. Algo tranquilo. Função que já estou acostumado. Ocorre que acabei demorando - como pagamento pela viagem sempre tem algo para comer -, e saí por volta da 1h da cidade vizinha. Era só voltar. Só? Atrás de mim, um carro da Brigada Militar, primeiro com os faróis apagados, depois acessos, depois fazendo sinal de luz. Parei.
- Desce do carro! - disse um dos policiais (os dois pareciam nervosos e eu cagado com a situação, apesar de não dever nada para os homens da lei)
Como de praxe, pediu os documentos, que eu, também de praxe, tinha nas mãos.
- O senhor está levando alguma carga, aí?
- Não. (respondi)
- Então abra o porta-mala.
Abri. O policial mais jovem foi vistoriar com uma lanterna (estávamos no meio da escuridão). Abriu as portas de trás do veículo e também olhou (se pudesse multar por sujeira estaria feita a minha multa).
- Tem alguma pendência com a polícia?
Respondi que não. Mesmo assim, ele ligou para a central e constatou que eu havia batido o carro, em Taquari, o que, de fato, aconteceu. Mas faz tanto tempo, que nem lembrei de relatar, até porque está tudo acertado desde aquela época.
- Onde você mora? - deu sequência às perguntas.
- Em Lajeado.
- E o que faz aqui?
- Vim trazer minha irmã.
- Quem é a tua irmã?
- A Juliana, que trabalha na escolinha.
- Ah, sim! Não leva a mal, é só uma inspeção de rotina. Tenha uma boa viagem!
Poderia ficar chateado pelo cagaço e pouca polidez, costumeira dos policiais, mas fiquei agradecido. Se alguém tivesse roubando meu carro, eles teriam pego. Se fosse alguém querendo causar algum mal àquela comunidade, como já aconteceu algumas vezes (em assaltos a bancos e lotérica), eles poderiam ter evitado. É uma abordagem chata, mas que, com certeza, me inspira segurança.

quarta-feira, setembro 30, 2015

Família, obrigado!

Outubro é um mês especial, ao menos, para mim. Tem o Dia da Criança - e me esforço ao máximo para continuar com espírito jovem, ganhando apenas a aparência dos anos que se passam, deixando a carranca que insiste em se formar entre os mais velhos; tem a proposta do mês rosa, de alerta às mulheres sobre os meios de evitar o câncer, a partir do autoexame, o que considero sensacional, como campanha que, hoje, é bem recebida por todos, não só por elas, que ocuparam seu espaço na sociedade; e tem o meu aniversário. Fico mais velho. Chego, neste 2015, aos 37 anos e percebo que preciso dizer o que está em meu coração para as pessoas mais especiais: minha família.
Pensei em escrever que tudo o que sou é por conta deles. Daí imaginei que poderia ser uma demostração egocêntrica ou minimalista - dependendo do critério de avaliação. Afinal, podem imaginar que tenho Ensino Superior, mas sou um jornalista de interior, como muitos outros, nada que possa representar um grande peso na balança da vida. Mas, daí, penso que sim, tenho Ensino Superior, que cursei e paguei todo estudo com o suor de meu trabalho, que faço o que amo e ainda recebo para isto - a situação me faz crer que não sou William Bonner (não como referência profissional, as como visibilidade), mas me permite entender que sou feliz assim (não conformado, apenas feliz), o que me dá liberdade para exagerar na vaidade.
Assim, posso me orgulhar em dizer que o que sou (pensando, então, que tem peso) sou por conta deles - não financeiramente, mas também. O mais importante é em relação à pessoa que me transformei. Posso dizer, sem dúvida, que tudo o que fiz de certo, todas as conquistas, todos os elogios que recebi foi porque segui as orientações, as dicas e os pedidos de minha família. Agora, é importante ressaltar que não fiz só coisas certas, que errei e o tempo mostrará ainda mais erros. Estes momentos só aconteceram, porque não segui as orientações, as dicas e ignorei os pedidos, achando que poderia me autoguiar. Ledo engano.
De qualquer forma, me aproximo dos 37 anos com o dever de agradecer e dizer que os amo: Julio, Marlene e Juliana. Posso ser mais próximo de um, ou de outro integrante, mas todos são importantes e vão ficar guardados para sempre em meu coração, em minhas orações e em minha alma.

quinta-feira, agosto 20, 2015

As frustrações da vida

Dizem que um homem, para ser completo, tem que chegar ao fim da vida tendo escrito um livro, feito um filho e plantado uma árvore. Talvez esteja meio ultrapassado, porque, com esta onda tecnológica, é possível que o livro até deixe de existir. De qualquer forma, a obra está quase escrita, mas há tempo, porque não tenho planos de morrer logo.
Sobre ter um filho, espero que possa ser considerado o fato de ter cuidado - com zelo - de um gato, porque acho que é o mais próximo que chegarei, neste desafio da vida. A árvore já foi plantada. Não sei se ainda existe, mas posso providenciar outras. Não tenho a mão muito boa para isto. Se plantar tiririca, ela morre - por mais que me esforce em aguar, manter limpo. A planta deve sentir que não tenho habilidade alguma para a produção primária.
Assim, por ora, percebo que estou longe de ser um homem completo. Beiro à frustração humana. O livro ainda não está pronto, o filho vou aguardar para a próxima encarnação, e a árvore nem sei se existe. Mas, estas, são frustrações baseadas no que dizem ser o certo. Como minha consideração por estes paradigmas sociais é semelhante ao apreço que tenho pelo cocô - ou seja, ele se apresenta e aciono a descarga, mandando pelo esgoto -, as ignoro.
Prefiro pensar em vencer outras frustrações, como o fato de não conseguir colocar um quadro na parede (tenho um exemplar fazendo aniversário, no chão do quarto, porque não sei como postar a tela); como fazer instalações elétricas (lê-se até trocar resistência de chuveiro); como visualizar as mudanças que tenho vontade de fazer no apartamento (aquela imagem mental que os arquitetos conseguem com muita tranquilidade); como ter a paciência de separar as roupas para que não fiquem com bolinhas ou manchadas, quando estão sendo lavadas; parando para pensar, são tantas.
Quantas coisas gostaria de saber fazer... tem vez que olho para o gato (Tom) me observando e o imagino pensando: "Lá vai ele tentar, novamente, fazer o que não sabe". Pois foi assim que venci alguns desafios. Sem tutorial, o churrasco ficou de fundamento (a carne era boa - é verdade); o bolo cresceu e ficou saboroso; a máquina que lava as roupas está no local certo, funcionando como manda o figurino; até a pipoca ganhou caramelo.
Agora, paro de escrever para continuar a derrubar barreiras, vencer desafios e frustrar as frustrações impostas pela vida. Vai que, em uma destas, nasce um filho...

segunda-feira, agosto 10, 2015

O nostálgico Facebook

Estabelecer rotinas não é algo que incomoda. A palavra assusta, lembra monotonia, mas é apenas uma forma de organizar obrigações e hábitos que entendemos ser de bom tom. A academia é um exemplo. Você estabelece horário e acaba indo (dentro do que lhe foi estipulado), como rotina, mas é prazeroso, permite inflar os músculos e esvaziar a cabeça, um antidepressivo de grande utilidade e baixo custo.
Além da questão física, uma outra mania é a vontade de sempre estar bem informado. Assim, logo que acordo, acesso o celular e confiro o que já é notícia em nosso jornal (O Informativo do Vale), Facebook, Twitter, além dos aplicativos, que trazem de tudo um pouco. São consumidos alguns minutos, mas que permitem ter uma ideia do que vem pela frente.
Esta agilidade percebida nos meios de comunicação, que vejo pela manhã e que se atualiza a todo segundo, faz com que o passado, mesmo que recente, pareça muito longínquo. Eis que um dos maiores astros do momento, no mundo virtual, o Face, apresenta a possibilidade de você recuperar algumas memórias, sem que tenha que perder tempo ou vasculhar em seu histórico. Faz o passado virar presente.
Ontem, ele me permitiu relembrar de um momento bacana, em que dividia - comigo - uma garrafa de Casillero del Diablo; dividia - com outros - os meus escritos; e que dividi - com os amigos virtuais (ou reais), em fotografia. Vale um agradecimento ao Facebook, que além de lembrar do dia dos aniversários também serve para nostálgicos momentos "remember".

segunda-feira, agosto 03, 2015

Tchaaaaau, pai!

Usar o transporte coletivo é a oportunidade de vivenciar o diferente, perceber como as pessoas agem, pensam, se posicionam sobre os mais variados assuntos. Para quem gosta de moda, pelas poltronas e corredores dos ônibus passa uma imensidade de estilos. É o atual, o psicodélico, o antigo - vintage, o antigo - antiquado, o cabelo pintado, o sem cabelo, a calça nova, a rasgada, a curta, a de cintura baixa e aquela que sufoca o peito da figura. Há de tudo e de todas as idades.
E por falar em idade, não creio estar em meu destino ser pai. Pelo menos, não parece estar nos planos recentes - e, em se contando o adiantado da idade, é considerado justo abandonar esta ideia. Apesar de não ter a vocação para a paternidade, a considero uma das situações mais lindas que os seres podem viver. A possibilidade de saber que aquela pessoa nasceu de você (junto com a mãe, é claro) é algo sensacional. E aquele bebezinho, tão pequenino, vira um ser tão grande, cheio de opiniões, atitudes, capaz de fazer mais bebezinhos.
Mas o que tem de relação entre o coletivo e a paternidade? Pois foi em um ônibus que entrou um casal e sua filha pequena. Não mais do que três anos. Muito cheio, o veículo estava com diversos sons - do motor, das pessoas falando, do rádio -, o que inviabilizava ouvir a menina. Entretanto, conforme foram descendo alguns, se percebeu, novamente, a existência da criança, que foi imortalizada no instante em que seu pai desceu (mãe e menina ficaram no ônibus). Um silêncio estabeleceu-se no local. O pai cuida dos degraus para não cair; desce concentrado e não se despede. Eis que, do fundo do ônibus vem uma demonstração de carinho em caixa-alta. "TCHAAAAAAU, PAI!", disse a pequena. Ela não ouviria a resposta sonora, então o pai deu um jeito: acenou para aquela que deve ser sua maior alegria.

quarta-feira, julho 22, 2015

Sou fã de Marcel Stürmer!

As pessoas que me conhecem sabem que sou o maior fã dos meus amigos. Sinto-me muito orgulhoso quando os vejo vencendo em suas áreas, conquistando seus objetivos profissionais e pessoais. Emociono-me quando um deles vêm feliz dizer que deu tudo certo: "Passei de primeira na auto-escola", "Estou namorando aquela gata que sempre sonhei", "Vou me formar", "Passei no concurso e vou para o emprego que sempre quis". É como se eu pudesse comemorar junto, como se fosse uma conquista minha, também.
É evidente que nunca deixo de lutar por meus objetivos, nunca abandono as minhas vontades, nem os meus sonhos, mas isto não impede de ficar feliz e ter orgulho alheio. Busco vencer meus desafios, enfrentar meus monstros e derrubar as barreiras, que aparecerem pela frente; e também divido as conquistas com as pessoas que gosto.
Agora, um cara que não é meu amigo (nunca falei com ele pessoalmente) foi protagonista de uma conquista inédita, no Pan-Americano do Canadá, e a sensação que tive foi muito semelhante à percebida nas vitórias daqueles que conheço. Marcel Stürmer foi medalha de ouro - pela quarta vez consecutiva. Ficaria feliz de qualquer forma, afinal, é um brasileiro no alto do pódio, mas ele é daqui. Viveu percorrendo as mesmas ruas que percorremos; estudou no colégio que vemos, quase todos os dias; tem família em Lajeado e, quando pode, aparece para rever os amigos.
E, mesmo nunca tendo falado com Marcel, sei do seu esforço, do que abriu mão para conseguir ser um vencedor. Pode ter perdido a chance de brincar com os colegas, enquanto tinha que treinar; pode não ter tido a adolescência maluca que a maior parte dos jovens tem, porque tinha que treinar; pode ainda não ter realizado alguns de seus planos de vida, porque tem que treinar; mas todos que fizeram, o que ele pode ter deixado de fazer, não têm como dizer que integram a história do esporte brasileiro e mundial. Pode até não ser o objetivo deles, mas foi o de Marcel e ele conquistou.
Sou fã de quem luta! Sou fã de quem insiste e vence aos outros e a si! Sou fã de quem não se envergonha de suas origens (já o vi falando várias vezes que é natural de Lajeado)! Sou fã de Marcel Stürmer!

quinta-feira, julho 16, 2015

Onde está o gostoso astro-rei?

Poucas imagens são tão sensacionais quanto o nascer e pôr do sol. Ficar sentado sobre as pedras, ouvindo as ondas do mar, e ver o astro-rei sumir no horizonte é empolgante; arrepia, excita, emociona. Ele aquece o corpo, esquenta a alma, seca as lágrimas e transforma a escuridão da noite num esplendoroso dia. Mais do que um elemento do sistema solar, ele é o balizador de que mais um período está se acabando, que é chegado o momento de pensar como será o dia seguinte.
Diferente da lua, com seu atrevimento, ostenta o fato de que ninguém consegue chegar até ele; não há como alguém repetir, em seu solo (se é que existe) o que Neil Armstrong disse ao pisar no solo lunar: "Um pequeno passo para um homem, um salto gigantesco para a humanidade". Ele é potente, valoroso, necessário e deixa uma saudade gigantesca. Onde está você, astro-rei? Volte, sol! Estamos com saudade!

segunda-feira, julho 13, 2015

Em busca da liberdade

São 17h de um sábado qualquer. A fila, em frente às salas de cinema, dá a impressão de que o filme se trata de um fenômeno de bilheteria. Adultos são poucos. A maior parte é de adolescentes influenciados pelo autor do livro, que originou o filme, e pela beleza dos artistas que fazem o "casal romântico".
O filme é Cidade de Papel, mas poderia ser qualquer outro. A intensão de fazer este programa se aproxima do objetivo de uma corrida em busca da liberdade. É ali, no escurinho do cinema, que o proibido se torna possível; que o escondido deixa de ser crime, pois todos, na escuridão, estão "escondidos".
É este o momento que os jovens casais têm para se encontrar sem se preocupar com a presença de outras pessoas - quer seja pela timidez, quer seja pelo olhar condenatório dos demais. E assim estavam dois pares, na última fileira. Antes mesmo de iniciar o filme, já haviam se posicionado de forma que pudessem trocar carícias e ficar bem pertinho. Os estalos dos beijos eram audíveis a pelo menos duas filas de cadeiras à frente.
Se acendesse a luz seria possível ver corações saindo das unidades que formavam, tamanho era o sentimento que demonstravam. Eis que começa o filme. O casal, aparentemente, mais velho para de trocar beijos, se vira para o telão e fica abraçadinho, trocando carinho com as mãos e, eventualmente, um bicotinha - só para não perder a prática.
Os mais novinhos, que devem ser tolidos no dia a dia, viram naquela a única oportunidade, e não pararam os beijos, Ficaram do primeiro ao último minuto com lábios colados - no mesmo ritmo, com a mesma intensidade, com a mesma vontade. Não viram o filme; não sabem como começou, muito menos como terminou, mas sabem que valeu muito a pena ter pago aquele ingresso; e não sabem, que ver o romantismo real deles foi muito melhor do que o romantismo fictício do telão.
E viva o escurinho do cinema, onde Rita Lee chupou drops de anis, onde pode se viver o sentido do amor, sem o pejorativo, sem a banalização, mas com sentimento - como o casal beijoqueiro, que em momento algum foi vulgar; que não faltou com o respeito, nem a si, nem aos demais; que viveu uma bonita cena, em que as mãos se controlaram, que o carinho foi feito com a inocência de quem gosta; e que só foi em busca de um espaço para conquistar a liberdade sem o olhar promíscuo dos adultos, que enxergam maldade, onde ainda não tem.

sexta-feira, julho 10, 2015

Não gosto de festa junina

As festas têm origem na homenagem a três santos católicos: Santo Antônio (13/06), São João (24/06) e São Pedro (29/06). A reverência a estes homens, que ganharam a titulação, por certo, por sua benevolência durante a passagem pela terra, acabou virando uma grande farra - uma forma da igreja ampliar a arrecadação e atrair mais fiéis.
No Brasil, o jeito caipira de ser, passou a ser o principal ornamento deste festejo. São feitas comidas típicas do interior e que agradam ao paladar de quase todos. E como inverno é, pelo menos no Rio Grande do Sul, um dos astros é o quentão. Aquece a alma e, acredito, até o santo que é lembrado no dia.
Tudo é alegria. Ops! Acho que não. Acompanhando tudo que vejo de fotos sobre Festa Junina, as brincadeiras, quadrilha, músicas,... chego à conclusão de que não gosto de Festa Junina. Não curto estragar minhas roupas pondo remendos, não gosto de riscar o rosto fingindo uma barba que não gosto de ter, acho feias as meninas com as maçãs do rosto rosadas e pingadas com caneta, sem contar os vestidos feios pra caramba, que cobrem pouco além da bunda.
Entendo a realização desta folia, respeito e até já me diverti em uma ou outra, mas não sou a melhor companhia para pular a fogueira, para dançar a quadrilha e muito menos para comer a cocada,

terça-feira, julho 07, 2015

A mídia do mal

Todos os dias, os veículos de comunicação trazem mais informações sobre os desvios e a corrupção na Petrobras. A maior estatal brasileira se vê imersa em um lamaçal sem precedentes. E, ao que tudo indica, é apenas uma pequena demonstração das barbáries feitas na empresa que dá a garantia de que o "petróleo é nosso". Depois de tantas denúncias, fica muito prejudicada no mercado, perdendo valor e tendo que reduzir investimentos. É. Parece que a mídia é mesmo tendenciosa e arquiteta o mal para o país.
A última frase é sarcasmo. É apenas uma alfinetada em quem acredita que mídia boa é a que divulga apenas o que se gosta de ouvir. Isto acontece, principalmente, com quem faz parte de administração pública. Em um café da manhã, promovido pelo Observatório Social de Lajeado, tive a oportunidade de falar sobre isto. Se o jornal, ou telejornal, fala algo bom do poder público é porque é vendido, já bradam: "imprensa marrom"; se escreve algo contra é porque é da oposição, porque não quer ver o crescimento da cidade, estado ou país.
A mídia não é inocente, mas o que faz ao mostrar o que, de fato, está acontecendo é um serviço ao seu cliente (leitor, telespectador, ouvinte, internauta). É a partir destas informações que poderá tomar decisões, sobre a forma que irá agir, em seu empreendimento ou em sua casa.
O caso vivido, atualmente, pelo Brasil é um exemplo clássico. Muitos condenam os veículos de comunicação por alardearem as consequências da crise sentida em todos os setores da sociedade. São os comunicadores, portanto, seres do mal; quando, no ano passado, em período eleitoral, esconderam todas estas dificuldades, que já eram previsíveis, ninguém os condenou. Se houve erro da mídia foi por omitir, em 2014, que 2015 e 2016 seriam anos de terror na economia. E quem pensa que é exagero - a palavra terror - deve se ater mais aos números e às medidas que vem sendo tomadas pelo governo. Está ruim e vai ficar bem pior.

domingo, julho 05, 2015

A capacidade de sentir

A profissão jornalista é como um sonho recheado com muito doce de leite. Ocorre que no lugar do adocicado recheio, existe uma série de histórias e imagens que comovem - umas pelo teor dramático, outras pela singeleza. Com o tempo, aqueles que se julgam mais profissionais, se orgulham de ter se acostumando e, por isso, perderam um pouco do lado humano, que é capaz de se emocionar com estas situações.
Quero morrer jornalista sem perder a capacidade de surpreender-me com a vida, com os seres humanos, quer seja pelo lado bom ou ruim. Quero ver correr uma lágrima ao ver situações corriqueiras, mesmo que esta lágrima insista em esperar o trabalho encerrar para escorrer pelo rosto. Quero ver Toy Store e me emocionar com o momento de despedida entre o adolescente e seus brinquedos.
E não se trata, no exemplo dado, de uma supervalorização dos brinquedos, como algo material. O que ocorreu, ali, foi o encerramento de um ciclo muito importante para a vida do cidadão. É uma despedida, um adeus aos parceiros (muitas vezes, os únicos), aos que permitiram viajar por muitos lugares, viver diferentes personagens, sem sair do quarto.
Todos passamos por isto. A vida é uma sequência de despedidas: dos brinquedos, dos amigos, dos familiares, dos colegas de trabalho. O mais importante são as boas lembranças que levamos de todos e a capacidade de nos colocarmos no lugar de cada um - como no lugar do adolescente, do filme, ao despedir-se dos amigos-brinquedos.

quinta-feira, julho 02, 2015

O fundamento da tecnologia

Os avessos às modernidades costumam condenar os avanços tecnológicos. Dizem que vieram para acabar com o hábito da leitura, por exemplo - o que me parece uma bobagem, pois você está lendo em plataforma evoluída tecnologicamente. Acabam por criar argumentos de ataque ao mundo virtual, mas fogem da dura realidade do mundo real.
O que seria mais interessante é a adaptação à tecnologia, fazendo com que ela se torne útil ao ser humano, não apenas como forma de informação ou entretenimento. Ela pode orientar, ajudar, ser parceira. Meu celular fez isto, ontem. Optei por ir para o trabalho  ônibus e, dentro do coletivo, o barulho costuma ser alto, então, aumentei o volume do celular, que tocava rádio. O aparelho, logo, avisou que volume alto pode prejudicar meu sistema auditivo. É a tecnologia fazendo o seu papel social.  E aí, vai ser contra?

terça-feira, junho 30, 2015

O retorno

Passaram os 15 dias. As férias se foram e, com elas, a possibilidade de dormir até muito tarde, de pular da cama para o sofá e do sofá para a cama. Já não é possível continuar a ver as dezenas de filmes, todos os telejornais, tomar chimarrão em horários alternativos, estar mais tempo com Tom. Foi um tempo de ócio sem produção, sem nada que tivesse a ver com o trabalho, sem querer estar na frente do computador noticiando. Foi importante. O ócio não é sinônimo de vazio. Aprendi muitas coisas, vivi muitas situações, conheci muita gente, me entreguei a este momento. Trago, como grande lembrança, os instantes com a família, com amigos e a frase que me marcou, em um dia qualquer: "Aperto de mãos é para os fracos". Bora abraçar, povo!

domingo, junho 14, 2015

A segunda-feira, 15 de junho de 2015

A segunda-feira, 15 de junho de 2015, vai ter um sabor especial. Terá gosto de caipira na beira da praia - sim, com vodca, limão, mel, gelo, açúcar e um pouco da areia, que insiste em fazer parte da receita; terá gosto de sequência de camarão, bem colorida, e em excelentes companhias; terá gosto de balada com diversos sotaques, com gente de todos os tipos, gente que tem apenas amor no coração.
A segunda-feira, 15 de junho de 2015, será como o deitar em uma espreguiçadeira; como ouvir o ronronar do gato e vê-lo "amassando pãozinho"; será como ouvir Elba Ramalho cantando "de volta pro meu aconchego" com a voz lenta e aguda, que chega a arrepiar no ouvido; será como sentar na beira da Lagoa Armênia, assistindo, de um lado, os patos brincarem na água, do outro, o fluxo dos veículos e, junto a você, os amigos mais queridos.
A segunda-feira, 15 de junho de 2015, será como o momento em que aquela pessoa mais especial diz: "Estou com saudade de te abraçar e beijar todinho"; será como o gozo junto, encerrando, com chave de ouro o ato prazeroso; será como ficar abraçado, nu, com a pessoa que te faz feliz; será como sentir o coração palpitar, a mão suar, os olhos brilharem e os pelos se arrepiarem pela presença de alguém especial.
A segunda-feira, 15 de junho de 2015, será assim, cheia de significados, de esperanças, de ideias, de vontades, será uma segunda-feira com cara de segunda e gosto de sábado, afinal, começam as minhas férias.

quarta-feira, junho 10, 2015

A insaciável fome de gol

A Seleção Brasileira de Futebol realizou (quarta-feira, 10 de junho de 2015) a última partida preparatória para a Copa América 2015, que será no Chile. No Beira-Rio, enfrentou Honduras. A vitória do time de Dunga, a 10ª em dez jogos, era previsível. Afinal, por mais que se esforcem, os hondurenhos ainda não têm a tradição neste esporte. Jogar contra um time de estrelas, como costuma ser a nossa seleção, chega a ser motivo de orgulho para eles - já foi mais, mas a amarelinha ainda ostenta seu histórico poderio.
O resultado foi 1 a 0. Ok, vitória, motivos para comemorar a manutenção dos 100% de aproveitamento, depois da vexaminosa Copa do Mundo de 2014. Até seria, talvez, em outro estado brasileiro. No Rio Grande do Sul é diferente. A criticidade da torcida fez com que, mesmo com o placar positivo, a seleção recebesse vaia. Vai, assim, para a Copa América com a certeza de que tem que fazer mais - e melhor - para agradar aos torcedores, ainda machucados pelo 7 a 1, diante da Alemanha.
A vaia pode ser justificada, mas não é muito fácil de entender, afinal, o principal objetivo da partida foi alcançado: vencer. Há, no futebol, esta necessidade de fazer muitos gols; não apenas ganhar, mas massacrar o adversário, ainda mais no caso de ele ser, evidentemente, mais frágil - exemplo de Honduras. A explicação pode ser a mistura da paixão com a competição. O torcedor é apaixonado pelo futebol e, ao mesmo tempo, tem enraizado no peito o espírito competitivo. Assim, ganhar é obrigação e vem com uma necessidade aditivada, motivada pela paixão, de resultar em muitos gols.
É a consagração da ideia de que paixão não pode ser muito misturada. É um sentimento único, para ser vivido em plenitude - primeiro, porque tem início, meio e fim; depois, porque é tão intenso, que não deve competir, sob pena de se perder o foco e o resquício de razão, que existe no coração apaixonado.

terça-feira, junho 09, 2015

Encantado com um crime passional

A música diz muito. É bem mais do que uma companheira, quando se está sozinho em casa. Ela faz dançar - o que é ótimo como exercício e ainda serve como motivo de aproximação para os interessados casais -, faz relaxar, faz lembrar de pessoas que tiveram alguma relevância na vida, e, se tiver a letra analisada, ainda pode conversar com o seu ouvinte. No entanto, ao que parece, pouco se dá atenção ao que diz a canção, deixando ao ritmo a responsabilidade de garantir o sucesso ou fracasso da obra.
Algumas letras marcam e dizem muito. Por si representariam a grande vendagem que os artistas tiveram. O acréscimos das notas musicais as ilustrou e transformou em agradáveis também aos ouvidos, além dos olhos. É o caso de "Cidadão", de Lúcio Barbosa, que ganhou vida com Zé Geraldo. Trata da vida sofrida do povo que deixa o Norte para sofrer no Sudeste, em busca de dias melhores. Chega ao ponto de apresentar o questionamento que todos os migrantes devem se fazer: "Essa dor doeu mais forte. Por que é que eu deixei o norte? Eu me pus a me dizer. Lá a seca castigava, mas o pouco que eu plantava tinha direito a comer".
Emociona e faz pensar em que tipo de gente estamos nos transformando. E levantar esta questão sobre o rumo dos seres humanos é pertinente aos que gostam da música Ronda, de Paulo Vanzolini e que ficou primorosa na voz de Maria Bethânia. Trata-se de uma declaração de amor, mas também relata uma relação de ciúmes, possível traição e, por fim, um crime passional. "E, nesse dia então Vai dar na primeira edição: Cena de sangue num bar da Avenida São João..."
E assim as letras contam, no mundo imaginário e encantador da música, a dura realidade, em que há nascimentos e mortes, encontros e desencontros, muito amor e muita traição e, até, uma morte, no bar da Avenida São João.

sexta-feira, junho 05, 2015

Seu cheiro

Existem pessoas que não precisam falar nada e, mesmo assim, a veremos como alguém especial, no mínimo, diferente. Daí você tem a oportunidade de falar e passa a ter certeza de que não se trata de alguém comum.
Então, a conversa evolui e se chega ao inevitável toque, o abraço, o encontro de corpos, e o perfume fica impregnado em sua roupa, sua pele e sua lembrança. E não é algo ruim, pelo contrário, é tão bom que não dá vontade de tomar banho, nem de lavar a roupa, para lembrar, pelo aroma, cada segundo vivido junto.
E assim se forma a lembrança e o sentimento olfativo!

quarta-feira, junho 03, 2015

Os maiores tesouros da vida

Trocar algumas palavras com um amigo - daqueles que podem ser considerados como irmãos -, nesta semana, tornou mais forte uma antiga certeza:família e amigos são os maiores tesouros que temos. Existem diferenças entre estas preciosidades.
A primeira nos é dada; é quase uma herança divina que recebemos e, no dia a dia, acabamos lapidando, e sendo lapidados, de forma que as mais pontiagudas arestas possam ser podadas, enriquecendo o nosso interior. Os amigos não. Eles são conquistas. Faz parte do que a vida lhe reserva como merecimento pelo ser que você é. São diferentes, é verdade, mas não menos brilhantes.
Cultivar amigos - sim, cultivar, como se fosse uma plantinha, que merece todo o cuidado - é uma arte que pouco avança do singular para o plural. Engana, ou engana-se, aquele que acredita ter muitos. Os fiéis, mesmo longe, mesmo sem estar se falando tanto, mesmo que tenham encontrado outras parcerias para os momentos de diversão, são poucos, mas contínuos e verdadeiros.
E poucas situações marcam mais do que ter uma conversa sincera com um amigo; um choro no ombro; um abraço de reencontro; uma troca de confidências; uma demonstração de que há reciprocidade neste sentimento terno.
Diante disso, é possível dizer que ter um grande número de conhecidos é muito fácil; ter amigos é uma conquista; manter estes amigos é a demonstração do quão verdadeiro é o carinho e quão especial você e seus amigos são. Parafraseando um amigo: "Os amores se vão; as amizades ficam".

 

terça-feira, junho 02, 2015

Vão viver mais!

"Há tão pouco tempo para viver, porque nos preocupamos com bobagens", disse o apresentador Gilberto Barros (o Leão), em entrevista. Ele estava se referindo ao fato de que, afirma, não guarda mágoa das pessoas com quem teve algum tipo de atrito, tanto profissional, quanto pessoal. Este rugido parece ter muito fundamento. Perder tempo alimentando sentimentos ruins por criaturas ou situações não faz o ser humano crescer em nada. Acontece justamente o contrário. Quanto mais amarguras tiver no coração, mais atrairá acontecimentos ruins para a sua vida. É a clássica máxima popular que diz: "O que se planta colhe".
O mesmo vale para a preocupação de determinado seguimento da sociedade, que condena as demonstrações de carinho entre pessoas do mesmo sexo, como a mostrada na peça publicitária do Boticário para o Dia dos Namorados. E não se trata de condenar quem evidencia a sua opinião contrário ao homossexualismo, ou o fato de que está sendo exposto na grande mídia. Dá mesma forma que deve ser respeitada a opinião de quem gosta, deve ser ouvida a opinião de quem acha exagero. Tomar partido por qualquer uma delas faz parte da liberdade que temos como cidadãos.
Agora, o que parece um extravio de tempo, que só os prejudica como seres humanos, é se dedicar a fazer campanhas contrárias, como as que incentivam o boicote aos produtos Boticário. Não haveria algo mais interessante para fazer? O mesmo vale para a guerra de homossexuais contra evangélicos. O que transparece, em toda esta disputa, é a mesma imagem dos políticos que reclamam da mídia. Se os jornais colocam notícia boa, estão certos; se a informação não agrada à administração é porque o jornal é da oposição. Menos, né!
Vão viver mais, produzir mais, amar mais, ser mais feliz, porque, amanhã, talvez já não estejam por aqui.

segunda-feira, junho 01, 2015

As duas metades da laranja

O ser humano não nasceu para viver sozinho. E não adianta tentar fugir desta afirmativa. Até para nascer precisa de outra pessoa. Primeiro dos pais, depois, dos médicos (ou quem estiver por perto, em alguma atitude mais desesperada). Agora, também não nasceu para colar em outra pessoa, como se, de fato, fossem as duas metades da laranja, simplesmente, só para formar par. Não adianta forçar a barra, por qualquer que seja o motivo, porque o máximo que vai acontecer é estas duas metades de laranja ficarem secas e, delas, não sair mais suco.
As frutas mais carnudas, com capacidade de produzir a maior quantidade de suco, são aquelas criadas em pés bem adubados, que se alimentaram de conhecimento (cada um de sua metade e, depois, da metade a que se propõe unir), que trouxeram do solo as suas marcas, umas imutáveis, outras passíveis de adaptação, para formar uma nova variedade, quem sabe, detentora de ainda mais caldo.
Assim, parece tão vil a vontade coletiva de estar junto de alguém, apenas, porque junho começou. É o mês dos namorados. Amor de Dia dos Namorados é semelhante ao amor de Carnaval. Acontece, você curte, e passa como o último bloco, na chegada da manhã da quarta-feira de cinzas. Que os verdadeiros amores façam do 12 de junho um ápice para a consagração daquilo que sentem, do quanto abriram mão para estar juntos, do quanto um conhece o outro, do que são capazes de enfrentar para continuar sendo uma linda laranja, formada por duas sadias metades. E o mais importante é que saibam que já foram uma laranja inteira (cada), mas que abriram mão de metade para se encaixar nesta outra variedade e produzir o mais saboroso suco que a sociedade pode ter.

quinta-feira, maio 28, 2015

Os medos

Onde está escrito que o cara tem que ser do tipo que se possa dizer: "Este é corajoso!"? Como diz Lênio Fregapani, não há problema em preferir ser um covarde vivo do que um herói morto. Seria muita covardia se reservar ao direito de evitar coisas que podem, de alguma forma, machucar? Não há motivos para se atirar de paraquedas, enfrentar um bungee jump, dar ponta de uma cachoeira - sem saber o que espera, lá embaixo -, praticar luta contra criaturas como os astros do UFC. Nada contra quem faz, mas os pés bem acomodados no chão, mesmo que descalços, fazem parte de uma pintura de vida interessante.
Pode-se dizer, assim, que não foi vivido o ápice da adrenalina. Mas quem disse que é preciso? E não se trata de conformismo exacerbado; apenas uma forma de entender a vida com pouco mais de  tranquilidade, em que os medos são vencidos aos poucos, assim como os projetos são formatados para atender as necessidades e dar um passo adiante. É assim que se desenha o futuro: vivendo o presente, vencendo os medos do passado e firmando o pé no amanhã.
Derrubar a timidez; subir ao palco com o microfone e comandar uma multidão; encarar a lente de uma câmera de televisão; remar, à noite, sobre uma prancha no mar; caminhar sobre os trilhos do V13, olhar para baixo e fazer aquela foto que vai deixar todo mundo afim de dar um like; dar um beijo na pessoa e se sentir protegido como se tivesse em uma cúpula, e o melhor, ter coragem para dizer isto... A vida já foi de medos menores ou maiores, mas nunca de tanta coragem.

segunda-feira, maio 25, 2015

O presente da dinda Cissa

Existem situações, na nossa vida, que ficam na lembrança. Algumas delas nos batem à memória, porque são agradáveis, tiveram um sabor especial, aroma diferenciado ou, por algum motivo, nos fizeram felizes. Existem, por outro lado, aqueles que martelam nossa cabeça e ficam como cicatrizes, ou tatuagens, para sempre. É a este último tipo, que me refiro.
Um dia, aniversário da dinda Cissa - madrinha de minha irmã - eu tinha ficado encarregado de levar a mana até a festa, no meio da tarde. Enfeitei a pequena, fomos para a casa da vó, de onde partiríamos para a comemoração.
O presente estava em uma sacola. Era um destes vasinhos de barro com flores. Para evitar que a afilhada o quebrasse, tirei o embrulho de suas mãos, a deixando um pouco frustrada. Devia ter deixado. Pouco antes de sairmos, não sei por qual motivo, fui subir no murinho da área, com o presente pendurado em uma das mãos. A sacola balançou, bateu no muro e o vaso espatifou-se. Minha irmã chorou tremendamente. Tive vontade de fazer o mesmo. Afinal, que grande cuidador era eu? Frustrei uma criança, que não se sentiu confiante para preservar o presente e, em seguida, lhe mostrei minha irresponsabilidade - tudo que eu não deveria. Fomos à festa; ficamos felizes pela comemoração, mas tristes por ter ido sem o presente, que não tinha valor monetário, mas sentimental. Se tem algo que fiz e me arrependo, nesta vida, é isto: acabei com o presente da dinda Cissa. 😞

domingo, maio 24, 2015

Eu só quero chocolate...

Não quero chá; não quero café; não quero Coca Cola. Quero chocolate. Sim. Chocolate - este desaforado alimento calórico, que não deve ser de Deus. A constatação do afastamento divino não é pelo sabor, porque se esta fosse a questão, certamente, seria distribuído no paraíso. É pelo pecado da gula.
Não entendo o motivo da tal cobra, no Éden, ter oferecido maçã para Eva. Corria o risco da primeira mulher do mundo ser como eu: não tolerar o ruído da mordida da maçã. A obstinada serpente veria seu ardiloso plano correr água abaixo. Se o capeta fosse esperto, de fato, daria um jeito de inserir chocolate na história. Adão e Eva, ambos nus e melecados de chocolate, adocicados ou mesmo com aquela sensação do meio-amargo... seria a própria tentação.
Talvez, assim, em uma reação revanchista, Deus exterminasse o cacau do mundo, fazendo com que o tal líquido, pasta ou barra, ficasse apenas no imaginário humano que é virtuoso, mas ainda não consegue sentir sabor. Que nada, a cobra não se deteve a vasculhar as delícias que a natureza tem a oferecer e pegou a primeira fruta que apareceu pela frente: vai maçã, mesmo. Eva, boba, caiu feito uma heliothis virescens (larva da maçã).
E nós, hoje, nos perdemos no chocolate - a cada dia menos chocolate, mas mais gostoso; a cada dia mais tentador e nas mais variadas opções de formato e tamanho. Derretendo no fondue, em cascata nas vitrines de lojas especializadas, nas barras, nas trufas, ao leite, no negrinho (brigadeiro), nos dedos melecados, ele é um desbunde, um atentado à gulodice.
E viva Tim Maia, que cantou para todo mundo ouvir uma ode ao chocolate. "Não adianta vir com guaraná pra mim. É chocolate o que eu quero beber".
 

terça-feira, maio 19, 2015

A busca pela solidão no coletivo

O transporte coletivo permite o acompanhamento das mais diferentes situações. Algumas são engraçadas, outras tristes; umas envergonham, outras encorajam. A situação possibilita, a quem utiliza o tempo entre um ponto e outro, a coleta de um material riquíssimo para análise.
Existe, por exemplo, o fato de que as pessoas entram no coletivo, o que dá a ideia de pluralidade, para buscar o singular, a solidão. Enquanto tiver um par de poltronas vazias, ninguém se atreve a sentar ao lado de outra pessoa (a não ser que tenha chegado junto). Em alguns casos, mesmo tendo banco desocupado, preferem ficar em pé.
As pessoas parecem estar com medo dos seus pares. Na era do mundo digital, no período da interação e da liberdade - até libertinagem -, ainda se busca a zona de conforto, o isolamento e se faz, desta forma, a ode à introspecção. Isto representa seres melhores consigo? Não é o que parece nas demais situações do cotidiano. Cada vez estão menos sociáveis e mais próximos dos homens das cavernas.

Preguiçoso incorrigível

Juro, mesmo mentindo, juro - como canta Moacir Franco -, que tento parar para escrever, aqui. Disperso, esqueço, deixo de lado, como se fosse uma roupa, atirada no canto do armário, sem a mínima chance de tentar voltar a usá-la, mas com aquele egoísta sentimento de posse, que impede de passar adiante. Eis meu blog e a sua vida solitária. Se chorasse pelo esquecimento, estaria desidratado, pobre.