quinta-feira, maio 31, 2012

Sumiu o verde


Comentário para o Informativo Notícias, veiculado dia 30/05/2012, no Canal 20 da NET Lajeado ou pelo www.tvinformativo.com.br 
Rita de Cássia, ontem tive a oportunidade de passar por localidades do interior de Estrela, Bom Retiro do Sul e Taquari.Acredito que a realidade que vi ali, devido à escassez de água, é semelhante, ou pior, em outros locais do Vale, e isto é preocupante, em se considerando que somos uma terra essencialmente produtiva.Mas a constatação que cheguei, além da óbvia de que está faltando chuva e de que a que caiu hoje não é suficiente, é que está terminando o verde.No lugar do verdejante campo, da plantação de milho, arroz ou aveia, está o marrom. O marrom predominando devido à desidratação das plantas ou o marrom temporário, que é formado pela poeira. No olhar marejado do produtor está o vermelho do choro, porque tem a certeza de que lá se foi mais uma plantação por causas naturais. O céu brilha azul, límpido e forte sem as grossas nuvens que anunciavam chuva suficiente para acabar com o desespero de quem planta. Também na imagem feita no céu está o sol, amarelo, que dá tons avermelhados no lindo entardecer, que só faz mostrar que o próximo dia será de secura. Rosadas estão as bochechas das crianças, que vão-e-vem à escola com a expectativa de um dia deixar esta vida que depende, diretamente, da quantidade de chuva que cai. Daí a gente para e pensa que o verde, que atrai os olhares de moças e rapazes, quando o assunto é o jogo da sedução, restou apenas na esperança de que dias melhores hão de vir. E parece que vejo, assim que o inverno chegar de fato, a chuva vir em excesso e o nosso produtor ter que reforçar a música do Rappa, que diz: "Oh! Senhor. Pedi pro sol se esconder um pouquinho, Pedi pra chover, Mas chover de mansinho, Pra ver se nascia uma planta uma planta no chão. Oh! Meu Deus, Se eu não rezei direito, A culpa é do sujeito, Desse pobre que nem sabe fazer a oração." Que, então, a chuva venha; que venha com cautela e de forma produtiva para fazer o verde voltar a brilhar no seu reduto maior, o campo e a plantação.

sábado, maio 26, 2012

O que fazer com ela?


Você estar em uma cidade diferente da sua é uma experiência, no mínimo, interessante, desafiadora, instigante. Conhecer as ruas, entender os nomes, passar pelo processo natural de adaptação é preciso. Esta é a prova inicial para testar a sua capacidade longe de amigos e, em especial, distante da família. Foi-se o tempo da comidinha da mamãe, do cafuné da irmã, do generoso aperto de mão do pai, do carinho daquela menina, da parceria dos amigos cotidianos. Eita coisa boa que fica no passado.
Aqueles que te apóiam, que te oferecem o ombro, quando necessita, ou mesmo os que estão prontos para comemorar as suas vitórias parecem tão longe, que deixam de fazer parte de sua vida. Novos rostos, novas personalidades, novas parcerias, quem sabe, logo surjam. Tudo é novidade, é experiência inédita, é inesperado. Contudo, durante a rotina do trabalho – se é que pode se chamar de rotineira a função que permite estar em um lugar diferente em cada dia, tendo contato com pessoas e histórias ímpares – tudo é normal, comum, parecido, coisas que você já vive, mas que ainda encantam, resultado da paixão por esta profissão, o jornalismo.
O diferencial surge com o desaparecimento do sol. A noite, quando você retorna para seu apartamento e olha aquela cama enorme, sua comida por fazer, a louça para lavar, aí é que muda. Então ela está lá, a sua espera. Todos os dias uma face diferente, mas sempre poderosa, rigorosa, às vezes, gostosa, geralmente, temerosa. É quente ou é fria e lhe acompanha durante toda a noite, lhe atrai e lhe deprime, lhe faz sorrir, chorar, gemer, mesmo sem sentir qualquer que seja dor. O que fazer com ela? Como agir? Qual o passo certo a se dar? A solução é ir para o banheiro, encarar o seu rosto no espelho e dizer que você pode, que você é capaz, que tem vontade e capacidade para saciá-la, desfrutá-la, fazer da sua estada com ela a mais comum, simples e indolor de todas. Após isto, passar para outra.
Não há dúvida de que se consegue. Não há dúvida de que ela também é falível e, possivelmente, derrotável e que podemos dobrá-la ao nosso interesse, fazendo com que ela seja dominada, humilhada, transformada em motivo de gozação. Ao mesmo tempo, não há dúvida de que um dos nossos maiores males é ela. Ah, maldita solidão!

quarta-feira, maio 09, 2012

Comentário

Atendendo a uma sugestão, segue o comentário sobre o aniversário do jornal O Informativo e sobre o Dia das Mães. Está neste bloco do Informativo Notícias, apresentado pela Rita de Cássia.

segunda-feira, maio 07, 2012

Semana da mãe

Quando você pega uma bolacha é muito fácil de perceber que ela faz parte de um todo que é o pacote. Aquela unidade integra algo maior e se formou com a semelhança física e química da massa que acabou se transformando naquilo que compramos no supermercado. Mas isto é prático, é pertinente a uma digestão verborrágica. O difícil deve ser encontrar uma palavra que possa descrever o sentimento materno, o fato de que, assim como a bolacha, fazemos parte de um todo; um todo que sente, que vê aquele ser se formar dentro de seu corpo, que alimenta, que instrui, que sabe que um dia não o terá mais sob as asas do zelo e do bom cuidado. É muito complicado escrever sobre o sentimento materno, quando não o temos, e jamais o teremos (pelo menos nós homens), porque por maior que seja a participação do homem, na formação do ser, nada supera a palavra doação e o ato de entregar, vivido pela mulher durante a gestação, que a adjetiva como Mãe.