terça-feira, junho 30, 2015

O retorno

Passaram os 15 dias. As férias se foram e, com elas, a possibilidade de dormir até muito tarde, de pular da cama para o sofá e do sofá para a cama. Já não é possível continuar a ver as dezenas de filmes, todos os telejornais, tomar chimarrão em horários alternativos, estar mais tempo com Tom. Foi um tempo de ócio sem produção, sem nada que tivesse a ver com o trabalho, sem querer estar na frente do computador noticiando. Foi importante. O ócio não é sinônimo de vazio. Aprendi muitas coisas, vivi muitas situações, conheci muita gente, me entreguei a este momento. Trago, como grande lembrança, os instantes com a família, com amigos e a frase que me marcou, em um dia qualquer: "Aperto de mãos é para os fracos". Bora abraçar, povo!

domingo, junho 14, 2015

A segunda-feira, 15 de junho de 2015

A segunda-feira, 15 de junho de 2015, vai ter um sabor especial. Terá gosto de caipira na beira da praia - sim, com vodca, limão, mel, gelo, açúcar e um pouco da areia, que insiste em fazer parte da receita; terá gosto de sequência de camarão, bem colorida, e em excelentes companhias; terá gosto de balada com diversos sotaques, com gente de todos os tipos, gente que tem apenas amor no coração.
A segunda-feira, 15 de junho de 2015, será como o deitar em uma espreguiçadeira; como ouvir o ronronar do gato e vê-lo "amassando pãozinho"; será como ouvir Elba Ramalho cantando "de volta pro meu aconchego" com a voz lenta e aguda, que chega a arrepiar no ouvido; será como sentar na beira da Lagoa Armênia, assistindo, de um lado, os patos brincarem na água, do outro, o fluxo dos veículos e, junto a você, os amigos mais queridos.
A segunda-feira, 15 de junho de 2015, será como o momento em que aquela pessoa mais especial diz: "Estou com saudade de te abraçar e beijar todinho"; será como o gozo junto, encerrando, com chave de ouro o ato prazeroso; será como ficar abraçado, nu, com a pessoa que te faz feliz; será como sentir o coração palpitar, a mão suar, os olhos brilharem e os pelos se arrepiarem pela presença de alguém especial.
A segunda-feira, 15 de junho de 2015, será assim, cheia de significados, de esperanças, de ideias, de vontades, será uma segunda-feira com cara de segunda e gosto de sábado, afinal, começam as minhas férias.

quarta-feira, junho 10, 2015

A insaciável fome de gol

A Seleção Brasileira de Futebol realizou (quarta-feira, 10 de junho de 2015) a última partida preparatória para a Copa América 2015, que será no Chile. No Beira-Rio, enfrentou Honduras. A vitória do time de Dunga, a 10ª em dez jogos, era previsível. Afinal, por mais que se esforcem, os hondurenhos ainda não têm a tradição neste esporte. Jogar contra um time de estrelas, como costuma ser a nossa seleção, chega a ser motivo de orgulho para eles - já foi mais, mas a amarelinha ainda ostenta seu histórico poderio.
O resultado foi 1 a 0. Ok, vitória, motivos para comemorar a manutenção dos 100% de aproveitamento, depois da vexaminosa Copa do Mundo de 2014. Até seria, talvez, em outro estado brasileiro. No Rio Grande do Sul é diferente. A criticidade da torcida fez com que, mesmo com o placar positivo, a seleção recebesse vaia. Vai, assim, para a Copa América com a certeza de que tem que fazer mais - e melhor - para agradar aos torcedores, ainda machucados pelo 7 a 1, diante da Alemanha.
A vaia pode ser justificada, mas não é muito fácil de entender, afinal, o principal objetivo da partida foi alcançado: vencer. Há, no futebol, esta necessidade de fazer muitos gols; não apenas ganhar, mas massacrar o adversário, ainda mais no caso de ele ser, evidentemente, mais frágil - exemplo de Honduras. A explicação pode ser a mistura da paixão com a competição. O torcedor é apaixonado pelo futebol e, ao mesmo tempo, tem enraizado no peito o espírito competitivo. Assim, ganhar é obrigação e vem com uma necessidade aditivada, motivada pela paixão, de resultar em muitos gols.
É a consagração da ideia de que paixão não pode ser muito misturada. É um sentimento único, para ser vivido em plenitude - primeiro, porque tem início, meio e fim; depois, porque é tão intenso, que não deve competir, sob pena de se perder o foco e o resquício de razão, que existe no coração apaixonado.

terça-feira, junho 09, 2015

Encantado com um crime passional

A música diz muito. É bem mais do que uma companheira, quando se está sozinho em casa. Ela faz dançar - o que é ótimo como exercício e ainda serve como motivo de aproximação para os interessados casais -, faz relaxar, faz lembrar de pessoas que tiveram alguma relevância na vida, e, se tiver a letra analisada, ainda pode conversar com o seu ouvinte. No entanto, ao que parece, pouco se dá atenção ao que diz a canção, deixando ao ritmo a responsabilidade de garantir o sucesso ou fracasso da obra.
Algumas letras marcam e dizem muito. Por si representariam a grande vendagem que os artistas tiveram. O acréscimos das notas musicais as ilustrou e transformou em agradáveis também aos ouvidos, além dos olhos. É o caso de "Cidadão", de Lúcio Barbosa, que ganhou vida com Zé Geraldo. Trata da vida sofrida do povo que deixa o Norte para sofrer no Sudeste, em busca de dias melhores. Chega ao ponto de apresentar o questionamento que todos os migrantes devem se fazer: "Essa dor doeu mais forte. Por que é que eu deixei o norte? Eu me pus a me dizer. Lá a seca castigava, mas o pouco que eu plantava tinha direito a comer".
Emociona e faz pensar em que tipo de gente estamos nos transformando. E levantar esta questão sobre o rumo dos seres humanos é pertinente aos que gostam da música Ronda, de Paulo Vanzolini e que ficou primorosa na voz de Maria Bethânia. Trata-se de uma declaração de amor, mas também relata uma relação de ciúmes, possível traição e, por fim, um crime passional. "E, nesse dia então Vai dar na primeira edição: Cena de sangue num bar da Avenida São João..."
E assim as letras contam, no mundo imaginário e encantador da música, a dura realidade, em que há nascimentos e mortes, encontros e desencontros, muito amor e muita traição e, até, uma morte, no bar da Avenida São João.

sexta-feira, junho 05, 2015

Seu cheiro

Existem pessoas que não precisam falar nada e, mesmo assim, a veremos como alguém especial, no mínimo, diferente. Daí você tem a oportunidade de falar e passa a ter certeza de que não se trata de alguém comum.
Então, a conversa evolui e se chega ao inevitável toque, o abraço, o encontro de corpos, e o perfume fica impregnado em sua roupa, sua pele e sua lembrança. E não é algo ruim, pelo contrário, é tão bom que não dá vontade de tomar banho, nem de lavar a roupa, para lembrar, pelo aroma, cada segundo vivido junto.
E assim se forma a lembrança e o sentimento olfativo!

quarta-feira, junho 03, 2015

Os maiores tesouros da vida

Trocar algumas palavras com um amigo - daqueles que podem ser considerados como irmãos -, nesta semana, tornou mais forte uma antiga certeza:família e amigos são os maiores tesouros que temos. Existem diferenças entre estas preciosidades.
A primeira nos é dada; é quase uma herança divina que recebemos e, no dia a dia, acabamos lapidando, e sendo lapidados, de forma que as mais pontiagudas arestas possam ser podadas, enriquecendo o nosso interior. Os amigos não. Eles são conquistas. Faz parte do que a vida lhe reserva como merecimento pelo ser que você é. São diferentes, é verdade, mas não menos brilhantes.
Cultivar amigos - sim, cultivar, como se fosse uma plantinha, que merece todo o cuidado - é uma arte que pouco avança do singular para o plural. Engana, ou engana-se, aquele que acredita ter muitos. Os fiéis, mesmo longe, mesmo sem estar se falando tanto, mesmo que tenham encontrado outras parcerias para os momentos de diversão, são poucos, mas contínuos e verdadeiros.
E poucas situações marcam mais do que ter uma conversa sincera com um amigo; um choro no ombro; um abraço de reencontro; uma troca de confidências; uma demonstração de que há reciprocidade neste sentimento terno.
Diante disso, é possível dizer que ter um grande número de conhecidos é muito fácil; ter amigos é uma conquista; manter estes amigos é a demonstração do quão verdadeiro é o carinho e quão especial você e seus amigos são. Parafraseando um amigo: "Os amores se vão; as amizades ficam".

 

terça-feira, junho 02, 2015

Vão viver mais!

"Há tão pouco tempo para viver, porque nos preocupamos com bobagens", disse o apresentador Gilberto Barros (o Leão), em entrevista. Ele estava se referindo ao fato de que, afirma, não guarda mágoa das pessoas com quem teve algum tipo de atrito, tanto profissional, quanto pessoal. Este rugido parece ter muito fundamento. Perder tempo alimentando sentimentos ruins por criaturas ou situações não faz o ser humano crescer em nada. Acontece justamente o contrário. Quanto mais amarguras tiver no coração, mais atrairá acontecimentos ruins para a sua vida. É a clássica máxima popular que diz: "O que se planta colhe".
O mesmo vale para a preocupação de determinado seguimento da sociedade, que condena as demonstrações de carinho entre pessoas do mesmo sexo, como a mostrada na peça publicitária do Boticário para o Dia dos Namorados. E não se trata de condenar quem evidencia a sua opinião contrário ao homossexualismo, ou o fato de que está sendo exposto na grande mídia. Dá mesma forma que deve ser respeitada a opinião de quem gosta, deve ser ouvida a opinião de quem acha exagero. Tomar partido por qualquer uma delas faz parte da liberdade que temos como cidadãos.
Agora, o que parece um extravio de tempo, que só os prejudica como seres humanos, é se dedicar a fazer campanhas contrárias, como as que incentivam o boicote aos produtos Boticário. Não haveria algo mais interessante para fazer? O mesmo vale para a guerra de homossexuais contra evangélicos. O que transparece, em toda esta disputa, é a mesma imagem dos políticos que reclamam da mídia. Se os jornais colocam notícia boa, estão certos; se a informação não agrada à administração é porque o jornal é da oposição. Menos, né!
Vão viver mais, produzir mais, amar mais, ser mais feliz, porque, amanhã, talvez já não estejam por aqui.

segunda-feira, junho 01, 2015

As duas metades da laranja

O ser humano não nasceu para viver sozinho. E não adianta tentar fugir desta afirmativa. Até para nascer precisa de outra pessoa. Primeiro dos pais, depois, dos médicos (ou quem estiver por perto, em alguma atitude mais desesperada). Agora, também não nasceu para colar em outra pessoa, como se, de fato, fossem as duas metades da laranja, simplesmente, só para formar par. Não adianta forçar a barra, por qualquer que seja o motivo, porque o máximo que vai acontecer é estas duas metades de laranja ficarem secas e, delas, não sair mais suco.
As frutas mais carnudas, com capacidade de produzir a maior quantidade de suco, são aquelas criadas em pés bem adubados, que se alimentaram de conhecimento (cada um de sua metade e, depois, da metade a que se propõe unir), que trouxeram do solo as suas marcas, umas imutáveis, outras passíveis de adaptação, para formar uma nova variedade, quem sabe, detentora de ainda mais caldo.
Assim, parece tão vil a vontade coletiva de estar junto de alguém, apenas, porque junho começou. É o mês dos namorados. Amor de Dia dos Namorados é semelhante ao amor de Carnaval. Acontece, você curte, e passa como o último bloco, na chegada da manhã da quarta-feira de cinzas. Que os verdadeiros amores façam do 12 de junho um ápice para a consagração daquilo que sentem, do quanto abriram mão para estar juntos, do quanto um conhece o outro, do que são capazes de enfrentar para continuar sendo uma linda laranja, formada por duas sadias metades. E o mais importante é que saibam que já foram uma laranja inteira (cada), mas que abriram mão de metade para se encaixar nesta outra variedade e produzir o mais saboroso suco que a sociedade pode ter.